Comece a organizar a agenda: estas são as peças de teatro em Lisboa a não perder em Setembro.

Este ano é particularmente atípico, mas Setembro não desiste de surpreender. Se a agenda de Agosto é sempre difícil de espremer, este mês compensa com estreias, reposições e, claro, a “monumental operação” que vai ser a maratona de Tchékhov proposta por Tónan Quito em A vida vai engolir-vos, para ver de 1 a 12 de Setembro, entre o D. Maria II e o São Luiz. Depois disso há mais propostas a partir de obras do autor russo, mas sobretudo produções nacionais, onde os artistas portugueses são estrelas do princípio ao fim. Curioso? Estas são as peças de teatro em Lisboa a não perder em Setembro.

1. A vida vai engolir-vos

Teatro Vários locais

Adaptada e montada a partir de quatro das mais importantes peças de Tchékhov – A Gaivota, O Tio Vânia, Três Irmãs e O Ginjal –, A vida vai engolir-vos, de Tónan Quito, promete marcar a rentrée através de uma “monumental operação”, dividida em duas partes, com cerca de quatro horas cada. A primeira será mostrada no São Luiz e reúne as primeiras metades dos quatro textos. A segunda será apresentada um dia depois na Sala Garrett do D. Maria II e agrega o final das obras. Aos sábados, num gesto inédito, o público é desafiado a participar numa experiência ímpar: passar uma noite entre os dois teatros, assistindo às duas partes de uma só vez. Estas maratonas terão início às 19.00 no São Luiz e terminarão às 06.00 do dia seguinte, no D. Maria II, período durante o qual terão lugar intervalos e serão servidas duas refeições, incluídas no valor dos bilhetes.

2. Aurora Negra

Teatro Teatro Nacional D. Maria II, Santa Maria Maior

Com criação e direcção artística de Cleo Tavares, Isabél Zuaa e Nádia Iracema, o espectáculo, vencedor da segunda edição da Bolsa Amélia Rey Colaço, aborda a invisibilidade a que os corpos negros estão sujeitos nas artes performativas em particular e na sociedade portuguesa no geral. A estes corpos é negado constantemente o acesso à construção das suas narrativas, quer seja pela sua ausência nas criações da maioria vigente, ou pela sua presença que, quando existente, é muitas vezes justificada e remetida a estereótipos e preconceitos. Em Aurora Negra, o canto começa na voz de uma mulher que fala crioulo, tchokwe e português.

3. Este é o meu corpo: A Virgem Doida

Teatro São Luiz Teatro Municipal, Chiado

O título Este é o Meu Corpo refere-se ao corpo de trabalho, bem como ao corpo físico, um dos principais motores e eixos de criação. O texto de Rimbaud A Virgem Doida marcou a estreia como actriz de Mónica Calle e o início da Casa Conveniente, em 1992. Um monólogo a que regressou, exactamente duas décadas depois, em 2012. E que agora revisita.

4. Escudos humanos em linha de fuga

Teatro Teatro do Bairro, Bairro Alto

Um grupo de jovens decide partir para um país prestes a ser atacado pelo seu próprio país, colocando-se como escudos humanos junto aos possíveis alvos de ataque. Nesta viagem confrontam-se com os horrores da guerra, as estruturas de poder que os oprimem e a sua falta de consciência política.

5. Este é o meu corpo: Lar Doce Lar

Teatro São Luiz Teatro Municipal, Chiado

Mónica Calle continua a apresentar, no Teatro São Luiz, sete solos emblemáticos da sua carreira. Este Lar Doce Lar é um monólogo para um espectador, criado em 2006, numa reflexão sobre as estéticas de recepção.

6. Mais Respeito que sou tua Mãe

Teatro Teatro Villaret, Lisboa

Ainda se lembra de Esmeralda Bartolomeu? A mãe de família e dona de casa mais desesperada da Baixa da Banheira e de Portugal está de volta nesta nova versão, onde regressa a braços com três filhos adolescentes (cada um com os seus problemas), um marido desempregado que só tem apego ao futebol e um sogro de 80 anos viciado em marijuana. Joaquim Monchique interpreta, encena e assina a adaptação do texto do argentino Hernán Casciari.

7. Seis meses depois

Teatro Teatro Nacional D. Maria II, Santa Maria Maior

Se, no seu último espectáculo, Olga Roriz reflectia sobre o impacto negativo que o ser humano tem vindo a causar ao planeta, Seis meses depois parte de uma reflexão sobre a humanidade que perdura em cada um de nós, apesar desta sociedade que nos consome, formata e massifica. Num futuro próximo, humanos, semi-deuses ou heróis, imaginam a sua existência através de sete personagens escolhidas ao acaso. Zhora Fuji, Naoki 21, Dawnswir, Gael Bera Falin, Kepler 354, Priscilla Noir e Human Cat habitam a cidade de Tannhauser, o ano é 2307 no planeta Terra 3.

8. A tragédia de Júlio César

Teatro São Luiz Teatro Municipal, Chiado

Júlio César quer o poder numa cidade que sabe estar minada pela podridão, pela intriga, pela alienação. O mote para o desenvolvimento da trama é o terrível incómodo que o poder e a influência conquistada por César gera nos seus companheiros políticos. Afinal, todos querem o seu quinhão. Para resolver a questão organiza-se um golpe de estado. O texto é todo ele feito de justificações para o assassinato e das suas consequências.

9. A Fox and a Woman Go Into a Bar

Teatro São Luiz Teatro Municipal, Chiado

Foi em 2016 que Sara Carinhas organizou o Ciclo de Leituras Encenadas no antigo Jardim de Inverno, onde se ouviram excertos de obras de Herberto Hélder, José Tolentino Mendonça, Luísa Costa Gomes, Maria Velho da Costa e Matilde Campilho. Agora regressa para um segundo ciclo, uma proposta que conta com mais de vinte mulheres, entre autoras, actrizes e equipa artística. Neste espectáculo, uma raposa e uma mulher entram num bar. A piada não acaba bem.

10. Este é o meu corpo: Rosa Crucificação

Teatro São Luiz Teatro Municipal, Chiado

Rosa Crucificação é o mais recente solo de Mónica Calle, estreado em Março de 2019, criado, encenado e interpretado pela actriz, a partir da trilogia homónima do escritor norte-americano Henry Miller, pensado para 15 espectadores.