A Rússia registou esta semana a primeira vacina. OMS recomenda cautela.

1 PORQUÊ AS DÚVIDAS EM RELAÇÃO À VACINA RUSSA?

Registada na terça-feira, a vacina russa começará a ser produzida em setembro, para que fique disponível em janeiro de 2021. Moscovo afirma que 20 países já a encomendaram, mas foram muitos os cientistas (e a própria OMS) a pedir cautela, já que a Rússia não forneceu evidências científicas ou informações sobre as etapas I e II dos estudos clínicos, saltando a etapa dos testes em massa.

2 QUANTAS VACINAS ESTÃO NA FASE MAIS ADIANTADA?

Atualmente, há oito vacinas na fase III, a última antes da aprovação e a que implica o teste em milhares de pessoas, com resultados comparados com um placebo. A produzida pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica britânica AstraZeneca é uma delas. Os testes tiveram início no final de junho, no Brasil, onde está também a ser testada a vacina do laboratório privado chinês Sinovac Biotech. Entre as outras estão a da farmacêutica norte-americana Moderna; a que envolve a parceria entre a americana Pfizer, a alemã BioNTech e a chinesa Fosun; uma vacina do Instituto de Produtos Biológicos de Wuhan; e a vacina da chinesa CanSino Biologics.

3 PODEMOS ESPERAR UMA VACINA EFICAZ E SEGURA?

Segundo as orientações da agência norte-americana para os medicamentos, uma vacina terá de ser pelo menos 50% eficaz. A meta é considerada razoável, porque, geralmente, quanto mais grave é a doença maiores são as chances de uma vacina a prevenir: 50% de eficácia contra a covid-19 leve pode significar uma eficácia superior contra a forma grave. Quanto à segurança, e tendo em conta a forma acelerada como se está a trabalhar, há especialistas a defender que os fabricantes devem acompanhar mais tempo as pessoas que recebam a vacina. Pelo menos, dois ou três anos, para não deixar escapar qualquer efeito secundário.

4 QUEM SERÁ VACINADO PRIMEIRO?

Ainda se discute. Há consenso em assumir os profissionais de saúde como prioritários. Já na segunda linha há quem acredite que o melhor é vacinar as pessoas acima dos 60 anos ou com patologias prévias (como diabetes ou problemas cardíacos), enquanto outros defendem que a escolha deve recair sobre as crianças.